quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

prenda de natal para visitantes (peço desculpa aos que já tenham recebido esta prenda)

http://www.youtube.com/watch?v=BkH0cPzg-IU





como recordar o que nunca aconteceu

PANTEÃO NACIONAL . LISBOA
ANA NOBRE . LUÍS FELÍCIO
10 JAN 09 . 17H30 . Entrada Livre



Trata-se de uma performance criada e executada por Ana Nobre
e Luís Felício, para o espaço do Panteão Nacional, em Lisboa.
Realizar-se-á dia 10 de Janeiro de 2009, pelas 17H30.
Inserida no Ciclo Internacional de Performance-Arte, organizado
por Fernando Aguiar.


SINOPSE
Um verdadeiro acontecimento tem que ter também como fundamento
a possibilidade da sua impossibilidade: o seu desastre,
o seu presente absoluto e a sua perda irreparável para um sujeito.
A aceitação de que poderia não ter acontecido – para que aconteça.
Algo que nunca tenha acontecido não pertence nem à verdade nem à falsidade.
A memória regista apenas uma ínfima parte do que realmente
aconteceu, e guarda inevitavelmente essa parte como verdade
do todo.
Se se quer recordar algo que nunca tenha acontecido tem que se entrar
no território da fábula, tem que se ficcionar, tem que se
proceder à sua representação. É esse impossível – que nunca
aconteceu – que é toda a ficção absolutamente necessária à vivência do presente, já que não há como garantir uma forma de
consciência que possa possuir absolutamente toda a realidade
do vivido no presente. Protegemos o que acontece – o nosso vivido – com a sua repetição.
Tornamo-nos imagem para que possamos ter o nosso presente,
para que sejamos capazes de ter palavras.


MATERIAIS
Uma máquina de filmar digital mini-dv; uma máquina fotográfica digital; dois tripés;
um mapa da Grécia Antiga; o livro Hölderlin, Poemas, ed. Relógio D’Agua; uma carta do poeta Frederich Hölderlin para o seu amigo, o filósofo Georg Hegel, de 10 de Julho de 1794; a reprodução sonora da recitação de um poema de Hölderlin, Andenken, Recordação, por Bruno Ganz (manipulada); a estrutura do Albergue da Liberdade, de Pancho Guedes.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

antiguidades

o sangue desconhece o luto da rosa, (e)
o poema realiza a obsessão da veia
a apologia do grito elidindo
as conjunções do coração

o poeta escreve,
com um caule de veia sobre a água, e

arboriza-se,
como as mulheres

na inelutável volúpia do poema

que, um poema não se escreve, é
a argúcia afinada da mão rente
à lâmina, a avidez de fruto do silêncio

sondando o mistério

um poema escreve-se, assim:

arrancando as veias

pétala a

pétala, e

a carne esticando-se na oclusa brancura
do canto; enquanto as mulheres rezam
pelos dilúvios sentadas
no centro dos aguaceiros, e

o sangue se
arrepia
nos braços dos homens
sustentando os céus

as mulheres oferecem então os seus ventres para a sustentação

das casas, e, se
no trabalho do poema, a boca é uma casa ou
um barco aos gritos,


o poeta
compenetra-se, numa paciência de geómetra na medição
da altura do grito, procura
o cruel fim da inteligência

uma imagem:
o caule sustentando a criança, de pé
no centro do pulso,

o poema,
(escreve-se enquanto não se vê)

debruço-me sobre a ânfora do poema
onde choraste os teus cabelos desfeitos
as águas espelham-te o rosto

e ver é ver o lume
é narciso no conluio das imagens
quando a mão adestra o branco ao lugar
(um poema nunca existe)

a cal, a cal é o fundamento
de todas as paisagens

o branco revela o verbo
o seu sangue branco aberto
em flor na ponta da vara
das falanges sempre expostas ao flagelo:

o poema é narciso
tecendo relâmpagos

com as limalhas de ferro dos rios arrancados
ao dom de ver na conformidade
do cálculo dos coágulos attravessando a memória: o tempo
aniquilado no torno de um elogio duradouro

o poema é suster o gesto de olhar sobre as massas terríveis
e promover um desvio salubre:
é simples como esquecer um rosto amado

é branco, o poema: as mãos que tocam as labareadas
ardendo sobre os caudais que me atravessavam
os ombros quando me tocavas
e não havia tanta água rubra entre nós

(escrevo enquanto não te vejo)

Performance (homenagem a Hölderlin)

como recordar o que nunca aconteceu

PANTEÃO NACIONAL . LISBOA
ANA NOBRE . LUÍS FELÍCIO

10 JAN 09 . 17H30 . Entrada Livre

Trata-se de uma performance criada e executada por Ana Nobre
e Luís Felício, para o espaço do Panteão Nacional, em Lisboa.
Realizar-se-á dia 10 de Janeiro de 2009, pelas 17H30.
Inserida no Ciclo Internacional de Performance-Arte, organizado por Fernando Aguiar.


SINOPSE

Um verdadeiro acontecimento tem necessariamente como fundamento também a possibilidade da sua impossibilidade: o seu desastre,
o seu presente absoluto e a sua perda irreparável para um sujeito.
A aceitação de que poderia não ter acontecido – para que aconteça. Algo que nunca tenha acontecido não pertence nem à verdade nem à falsidade.
A memória regista apenas uma ínfima parte do que realmente
aconteceu, e guarda inevitavelmente essa parte como verdade
do todo.
Se se quer recordar algo que nunca tenha acontecido tem que se entrar no território da fábula, tem que se ficcionar, tem que se
proceder à sua representação. É esse impossível – que nunca
aconteceu – que é toda a ficção absolutamente necessária à vivência do presente, já que não há como garantir uma forma de
consciência que possa possuir absolutamente toda a realidade
do vivido no presente. Protegemos o que acontece – o nosso vivido – com a sua repetição.
Tornamo-nos imagem para que possamos ter o nosso presente,
para que sejamos capazes de ter palavras.


MATERIAIS

Uma máquina de filmar digital mini-dv; uma máquina fotográfica digital; dois tripés;
um mapa da Grécia Antiga; o livro Hölderlin, Poemas, ed. Relógio D’Agua; uma carta do poeta Frederich Hölderlin para o seu amigo, o filósofo Georg Hegel, de 10 de Julho de 1794; a reprodução sonora da recitação de um poema de Hölderlin, Andenken, Recordação, por Bruno Ganz (manipulada); a estrutura do Albergue da Liberdade,
de Pancho Guedes.

Schubert, D 960 (Brendel)

o distendido
movimento da melancolia

som pele e queda
há uma pirâmide atrás
dos meus olhos

e que posso fazer
senão nadar em volta

eu que nada sei dizer
de outra maneira?

a ouvir a moonlight sonata (Wilhem Kempff)

no mais fundo centro da noite

é outono
o silêncio

o seu odor a mármore
justamente acabado de lapidar

alguém colocou um piano
no centro da água revolta

alguém é convulso
enquanto se exercita
na arte de nada ser

eu é uma palavra
que digo diante de um espelho

quando o poema é já
a veia agora toda calibrada
pelo som incircunscrito

"não é meia noite quem quer"


repete enfim a voz que já não não assiste
à eclosão da semente

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

I

profiro lentamente uma palavra
que faça sombra
ao convulso movimento
dos dedos

porém, é preciso
aprender a ouvir o silêncio

os rios são coisas
que não se podem dizer
sem ser em segredo

caminha-se sempre sobre a seda
quando se escreve

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

A MORTE É UMA FLOR

GRÃO-DE-LOBO

Põe o ferrolho na porta: há
rosas na casa.

sete rosas na casa.

o candelabro de sete braços na casa.
O nosso
filho
sabe isso e dorme. (...)