campânulas
I
campânulas de vidro desenhado
sobre o vidro, de vidro
as mãos de vidro
e a infância,
(dentro das casas
de vidro os meus lábios)
o vento norte entre
a espada e a parede
e a mão entre a lavra da cal
e a doçura do silêncio
e, de vidro a boca pouca louca
para tanta água
de vidro sempre
a veia a pretexto do sangue/
do texto
o palimpsesto das mãos
enredadas no odor
no poema, isto é
, a pele à tangente do perfume
e os lábios postos
sobre, muros, a letra a lâmina
tão precisas na melodia
a voz tangida no leito da pedra
de vidro
o poeta, isto é
, ser um rio
e ver tudo a partir
do interior do sangue
e também depois o gesto de acompanhar as sebes
à transparência de um eco
hermes olhando os quintais
hermes caído sobre olhos de barro dos animais
todo o rubro desaire do epifonema, a canção
a boca sempre tão próxima do silêncio
(o lábio dedilhado o cume dos ulmeiros
em noites)
II
campânulas, os poemas, lentíssimas casas de ar
essa mínima raiz do inverno
transparente ciência infusa,
o gesto puro e simples de tocar
alguém com um nome, assim
e brilha também ao alto
o sangue a linfa a lava
nos coágulos silábicos do texto
enquanto na extremidade mais porosa da memória
um anjo estremece dentro da madeira
uma ave-campânula semeada em chão de página
é este todo o acto que obsidia, o acto
de circunscrever odores a precisão melódica
toda a sintaxe erguida
a partir
do mármore, do sal, da prata
ciência sonora do sangue
o fundo poder de adivinhar e dizer
por palavra
o eco dos olhos na pureza do leito
e gesto de respirar a prumo
o aprumo
dos nomes
quero as suas vogais de silêncio
o modo como são de vidro
quando tocados,
(como os teus lábios,- agora)
III
campânulas,
os nomes
o som que fazem,-
a face que dão
e como me comovem os dedos-
ao passar por elas adentro
todo o rumor do mundo, todo o mundo omisso
entre a lavrada terra funda
e a infundida leveza do verso,-pele a pele-
os nomes o oculto labor de adivinhar
por gesto
o oculto gesto de escrever
o eco dos olhos sobre o vidro
e, de vidro, depois, de vidro a música; / duvido
de vidro, duvido
que haja outra forma de cantar
senão com a mão funda dentro
do sangue
e o astro-lábio habilitado
à síncope melódica
não há outra forma
senão (com) a mão
lavrando campânulas sobre
o vidro eléctrico
IV
os (pro)nomes agora
como (?)
espelhos olhando espelhos
olhados olhos olhados a partir
do omisso centro das imagens
(porque) é uma confiança cega, o ritmo, o coração
é assim que se perde finalmente um rosto
e diz-se "a mão na pena vale a mão na charrua"
e senta-se (-se) assim, levíssimo, feito tão-só de ar,
num verão de amoreiras em torno do pensamento
(os pronomes, também o gesto
de te dar os meus lábios à distância
de um eco)
o gesto de te dar um nome sem nome
(o gesto de te dar o nome com te olho)
V
são gestos as palavras
(e como eu amo esses rostos de estanho)
os nomes, por eles
convoca-se incêndios em celeiros de amor
porque tudo é sempre devido àquele
que conheceu o mundo
e entrou solícito no leito do perfume
os nomes
escreve-se o leito do odor o peso da mão
o eco do rosto contíguo a muros
escreve-se e não se lamenta nenhum espelho
os nomes
atravessa-se sempre a água só de a respirar
e pensa-se em campânulas com o sangue do avesso
"do mundo", pensa-se em árvores semeadas
sobre a lavra do pó
pensa-se em poemas, em anjos cor de cedro
estremecendo, e acredita-se (sabe-se)
que tudo está sempre por fazer
acredita-se no puro movimento das palavras,
como se
incêndios de aves rodeassem
in-ter-mi-ten-te-mente
o tímpano
e, mente o tímpano que ouve a/à distância
"todo o anjo é terrível"
a mão no perímetro órfico
os nomes: todo o amor por fazer
e descobre-se subitamente que é preciso tão-só
plantar as coisas no vento: campânulas
para que o pássaro de boca do poema
possa sempre acompanhar a mão, os lábios
rumo à cega floração do sal
é no centro da mão que vejo nos nomes
a cegueira começando a florescer,
(mas não hermeneuicamente)
VI
campânulas os poemas assim escritos
no contágio de
lume ave âmbar ar
o movimento da boca nos nomes
o sucinto peso lúbrico
e depois o seráfico olhar dos nomes,
como se não fossem já
a boca já antes do gesto dentro
do leito da pedra
e, de vento os poemas: som, som, som
som, habilitado à travessia do odor
sim, corpos, gestos: o odor deslocado no sopro
mãos depois, mãos: o odor colhido nos leitos
sim, o poema começa sempre pela
abdicação dos olhos
vidro escrito sobre vidro,escrito
apesar de tudo e de nada
"no mundo"
VII
começa-se sempre por querer
sem saber
eco e narciso ( é a única verdadeira
história de amor)
(peito repetindo as ondas do mar)
o impossível
as mãos aflitas
sobre a roupa
(des)atentas ao perfume
a semente desatada no gesto de te tocar os olhos
por detrás do vidro
(os teus, que são tão belos)
e no poema, a louca lunação dos nomes
a boca sempre debruçada sobre o aroma
nunca houve outra forma
de escalar a infância
senão pelo som
(a forma como o ar oferece o seu corpo
hoc est enim corpus meum)
nunca houve outra palavra.
sábado, 12 de Dezembro de 2009
segunda-feira, 16 de Novembro de 2009
orfeu é o rosto
orfeu é o rosto do poema, que
lentamente se aproxima do negrume
(porque) há uma treva que fulgura
entre as palavras
ícaro alça o braço, e toca as estrelas,
esse metal fundente do olhar
disposto sobre o domínio erótico da mão
o poema é,
para que se opere a combustão do olhar
na carne,
o poema é,
para que se abra um rosto
no fulcro da visão,
porém, na verdade, um rosto é impensável,
e o poema não pode olhar para trás,
incêndios ladeiam cada braço
não há quem possa existir num poema,
ele é sempre o corpo imponderável,
a distância entre a queda de orfeu
e o voo de ícaro sobre o cume das sombras
em combustão,
ele é o rosto unânime do flagelo,
e é eurídice envolta pela seda ardente
do coração, e é o verbo sempre oculto pelo que revela
e, é este texto que é luciferino, que é o rosto velado
da esfinge, o rosto que incessantemente
se aproxima do negrume sem nunca se afastar
do dia
lentamente se aproxima do negrume
(porque) há uma treva que fulgura
entre as palavras
ícaro alça o braço, e toca as estrelas,
esse metal fundente do olhar
disposto sobre o domínio erótico da mão
o poema é,
para que se opere a combustão do olhar
na carne,
o poema é,
para que se abra um rosto
no fulcro da visão,
porém, na verdade, um rosto é impensável,
e o poema não pode olhar para trás,
incêndios ladeiam cada braço
não há quem possa existir num poema,
ele é sempre o corpo imponderável,
a distância entre a queda de orfeu
e o voo de ícaro sobre o cume das sombras
em combustão,
ele é o rosto unânime do flagelo,
e é eurídice envolta pela seda ardente
do coração, e é o verbo sempre oculto pelo que revela
e, é este texto que é luciferino, que é o rosto velado
da esfinge, o rosto que incessantemente
se aproxima do negrume sem nunca se afastar
do dia
sexta-feira, 30 de Outubro de 2009
sem título I
da cólera nunca se fez canção. coda:
as mulheres robustecem-se no talento
que as faz arborizarem-se - o sangue aprende a cantar, fortalece-se
no júbilo da canção -, e tornam-se
de mármore, aprendem a fabricar metais, entusiasmam-se
na destilação dos mistérios, enlouquecem
a partir da cintura, se pisam as pedras quentes com os pés nus, -
o sangue é conduzido para as arcas dos sótãos,
e o corpo, deixasse-o, como se abandona uma casa vazia -,
e o homem, cansado de polir a madrepérola,
pára, e dedica-se ao fabrico de pequenos cestos de vime,
para que o sangue cicatrize (até) nos espaços mais recônditos da memória, -
essa arte de coar água turva e cair a prumo -,
que é sempre em maio que, às mulheres, lhes desagua
a violeta no pulso, enquanto salgam o sangue, e se sagram
ao talento de emudecer lentamente:
sabe, aprendiz sombrio, que
a doença florirá sempre no negrume da mão fechada
da cólera nunca se fez canção. coda:
as mulheres robustecem-se no talento
que as faz arborizarem-se - o sangue aprende a cantar, fortalece-se
no júbilo da canção -, e tornam-se
de mármore, aprendem a fabricar metais, entusiasmam-se
na destilação dos mistérios, enlouquecem
a partir da cintura, se pisam as pedras quentes com os pés nus, -
o sangue é conduzido para as arcas dos sótãos,
e o corpo, deixasse-o, como se abandona uma casa vazia -,
e o homem, cansado de polir a madrepérola,
pára, e dedica-se ao fabrico de pequenos cestos de vime,
para que o sangue cicatrize (até) nos espaços mais recônditos da memória, -
essa arte de coar água turva e cair a prumo -,
que é sempre em maio que, às mulheres, lhes desagua
a violeta no pulso, enquanto salgam o sangue, e se sagram
ao talento de emudecer lentamente:
sabe, aprendiz sombrio, que
a doença florirá sempre no negrume da mão fechada
segunda-feira, 26 de Outubro de 2009
poema
colho a flor (d)o enigma (d)a brancura
depuro a palavra o rosto
entregue à vertigem do chão
cinjo o som em torno da veia
cingida pelo movimento
sei que os olhos, que o sangue
sei que respiram
a prumo toda a vertigem do gosto
semeio depois a cegueira nas eiras solares
onde as mãos se entregam ao martírio
das sombras, e espero
com o céu sob o pé e as raízes do sangue
no ventre em flor
espero com a cal como irmã
(espero o mundo
sempre no centro do movimento),
o céu é sempre raso
em redor da córnea
da carne
aplainada
nos silos do verão
provo o lume, sinto o aroma
é meu o centro aceso da semente
semear depois: uma arte de perder
o rumo no centro das chamas
as mãos na vidência do espaço
desenham a penumbra
em torno da imortalidade da pele
o olhar como um lugar imóvel
depuro a palavra o rosto
entregue à vertigem do chão
cinjo o som em torno da veia
cingida pelo movimento
sei que os olhos, que o sangue
sei que respiram
a prumo toda a vertigem do gosto
semeio depois a cegueira nas eiras solares
onde as mãos se entregam ao martírio
das sombras, e espero
com o céu sob o pé e as raízes do sangue
no ventre em flor
espero com a cal como irmã
(espero o mundo
sempre no centro do movimento),
o céu é sempre raso
em redor da córnea
da carne
aplainada
nos silos do verão
provo o lume, sinto o aroma
é meu o centro aceso da semente
semear depois: uma arte de perder
o rumo no centro das chamas
as mãos na vidência do espaço
desenham a penumbra
em torno da imortalidade da pele
o olhar como um lugar imóvel
poema de amor
1
se, agora, as ninfas se calam,
e amam, inclinadas no meu sono,
as naus que partem, vertiginosamente,
a tua queda é a minha queda;
se o som é labirinto,
a mão atravessará os espelhos
para colher a flor da cinza
no centro do tímpano
se o anjo é labirinto (hermenêutico),
se trás sempre à tangente da fronte
a ferida aberta do nome, há-de
haver alguém que profira
o verbo certo, e eco de uma sombra
nos silos ao centro do verão
2
sei, ícaro caiu também
com eurídice funda no coração;
então, digo-te:
não caias, que, se cais, eu terei de ficar cego
de excesso de sombra junto ao peito –
terei de percorrer os labirintos cingido pelo lume
em torno do olho e pela risca do sal
em redor do lábio
3
mas, porquê, pergunto-te a ti,
que não ouves o levíssimo
silêncio do anjo, porquê
calar as ninfas, e amar o mar?
porquê, ao escrever o poema entrar
no labirinto das cearas submersas
da lava em plena floração?
porquê o coração avaro, a casa vazia,
as manhãs gastas?
porquê a brancura e o cavalo alado,
e os olhos revirados, e a boca cheia
de sal ou algas?
porquê os ornamentos, o estilo, a figura,
se as casas se abrem
gratuitamente à desmesura dos vendavais
polindo os lábios das ninfas sentadas nos quintais em flor?
porquê a queda num sono raso em torno dos ombros,
e porquê sempre a melodia do silêncio estremecendo
nos recessos sombrios?
porquê o magma pelo peito?
porquê o plasma circunscrito por um meridiano de cal?
porquê a queda dos líquidos,
se as córneas apontam as constelações róseas –
o deus aberto perante a visão –
e o pequeníssimo céu que se retém debaixo do pé
ligado às raízes dos minerais?
porquê as rosas e as casas caladas?
porque o labirinto sonoro das raízes
em torno do ventre,
enquanto uma cidade tróia inteira me arde atrás dos olhos
quando me olhas?
4
porque a medusa acordará finalmente do seu sono de vidro
e haverá de devorar o universo inteiro
com o sal das suas córneas
ateadas no fulcro do movimento
de quem escreve e toca
nos lugares que se não podem tocar,
e porque se ninguém cantar a voz sem nome do anjo
restar-nos-á apenas para celebrar,
entre paredes de lume,
uma levíssima flor de cinza
(nunca ouso perguntar ao poema
o que quer e qual o seu nome)
porque a poética funda-se no seu labirinto,
e, porque, sempre,
nas tardes de rimas ancestrais, descobrimos
o incessante horizonte não nomeado
dos meandros da
palavra palavra
1
se, agora, as ninfas se calam,
e amam, inclinadas no meu sono,
as naus que partem, vertiginosamente,
a tua queda é a minha queda;
se o som é labirinto,
a mão atravessará os espelhos
para colher a flor da cinza
no centro do tímpano
se o anjo é labirinto (hermenêutico),
se trás sempre à tangente da fronte
a ferida aberta do nome, há-de
haver alguém que profira
o verbo certo, e eco de uma sombra
nos silos ao centro do verão
2
sei, ícaro caiu também
com eurídice funda no coração;
então, digo-te:
não caias, que, se cais, eu terei de ficar cego
de excesso de sombra junto ao peito –
terei de percorrer os labirintos cingido pelo lume
em torno do olho e pela risca do sal
em redor do lábio
3
mas, porquê, pergunto-te a ti,
que não ouves o levíssimo
silêncio do anjo, porquê
calar as ninfas, e amar o mar?
porquê, ao escrever o poema entrar
no labirinto das cearas submersas
da lava em plena floração?
porquê o coração avaro, a casa vazia,
as manhãs gastas?
porquê a brancura e o cavalo alado,
e os olhos revirados, e a boca cheia
de sal ou algas?
porquê os ornamentos, o estilo, a figura,
se as casas se abrem
gratuitamente à desmesura dos vendavais
polindo os lábios das ninfas sentadas nos quintais em flor?
porquê a queda num sono raso em torno dos ombros,
e porquê sempre a melodia do silêncio estremecendo
nos recessos sombrios?
porquê o magma pelo peito?
porquê o plasma circunscrito por um meridiano de cal?
porquê a queda dos líquidos,
se as córneas apontam as constelações róseas –
o deus aberto perante a visão –
e o pequeníssimo céu que se retém debaixo do pé
ligado às raízes dos minerais?
porquê as rosas e as casas caladas?
porque o labirinto sonoro das raízes
em torno do ventre,
enquanto uma cidade tróia inteira me arde atrás dos olhos
quando me olhas?
4
porque a medusa acordará finalmente do seu sono de vidro
e haverá de devorar o universo inteiro
com o sal das suas córneas
ateadas no fulcro do movimento
de quem escreve e toca
nos lugares que se não podem tocar,
e porque se ninguém cantar a voz sem nome do anjo
restar-nos-á apenas para celebrar,
entre paredes de lume,
uma levíssima flor de cinza
(nunca ouso perguntar ao poema
o que quer e qual o seu nome)
porque a poética funda-se no seu labirinto,
e, porque, sempre,
nas tardes de rimas ancestrais, descobrimos
o incessante horizonte não nomeado
dos meandros da
palavra palavra
quarta-feira, 15 de Julho de 2009
A NATUREZA EM ABISMO | Do Abismo Ao Aberto

Quinta-feira 16 JULHO 09 | FBAUL
17H . corredor 1º piso . Instalação
21H45 > 22H45 . cisterna . Performance
_
Faculdade de Belas-Artes
da Universidade de Lisboa
Largo da Academia Nacional de Belas-Artes
1249-058 Lisboa | Portugal
Etiquetas:
instalação,
performance
segunda-feira, 13 de Julho de 2009
como nunca recordar o que aconteceu [A OMISSÃO DO CENTRO]

como nunca recordar o que aconteceu
[A OMISSÃO DO CENTRO]
______________________________________________
17 JULHO 09 . 19 H
CCB . Centro Cultural de Belém
Praça do Império . Lisboa
um projecto de Ana Nobre e Luís Felício,
com a participação de Joana Tavares
______________________________________________
Uma imagem não tem um lugar, ela deriva de todos os lugares. Sem centro.
É a diáfora do sentido.
A imagem: a repetição de um lugar com outro lugar.
A substituição de uma ficção com outra ficção.
O que é que acontece quando (o) nada acontece?
Toda a imagem é a recordação do impossível: uma ficção, uma forma
de mostrar o sentido precisamente através da omissão do seu centro.
Toda a imagem significa dar o lugar às coisas, deslocá-las ou atravessá-las,
dar-lhes outros lugares.
Uma imagem: a possibilidade de pensar o impossível, de pensar o impensável:
toda a imagem é ao mesmo tempo tudo o que deve ser pensado e o que não
pode de facto ser pensado.
A imagem – ficção – como aquilo que não pode ser pensado, porque
é aquilo que permite o ter lugar do pensamento.
O ter lugar do lugar. O pensamento, a imagem, são distância do centro,
são a deslocação do sentido – a vida dos corpos.
_
Na ausência do pensamento em acto e da própria acção é certo que algo
acontece. O corpo acontece.
Sabe-se que na ausência do (acto) pensamento como centro das determinações
o real continua a acontecer – exterior ao próprio pensamento o sentido continua
a ter lugar.
O pensamento é também só na condição da omissão do seu centro.
O centro é o que não se pode ver.
O pensamento, o acto, são uma imagem do mundo.
O pensamento só se processa na condição de estar ausente do seu próprio
centro, do seu próprio presente.
_
Onde está o centro do sentido? Qual o centro de onde vem uma imagem?
Pensamento e imagem têm a mesma natureza. Dão-se só na condição
da sua ausência no mesmo momento em que acontecem.
Daí a sua ausência do momento presente, a sua não-presença, que paradoxalmente
é a única forma que ambos têm de conseguir aproximar-se do tempo
presente, desse aqui e agora que sempre nos escapa.
É por isto também uma performance sobre o Tempo, nomeadamente sobre
o que é o presente, o presente acontece?
É possível estar/ser consciente de uma vivência presente?
terça-feira, 9 de Junho de 2009
paul celan
falar a língua do estrangeiro
o idioma das flores
do mesmo pó
da carne
mesma
é feito o sopro
o fuso dos lábios atravessado
pela melodia do dedal
o idioma das flores
do mesmo pó
da carne
mesma
é feito o sopro
o fuso dos lábios atravessado
pela melodia do dedal
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